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Em desobsessão

Chico Xavier - Paz e Renovação

Aqueles companheiros na Terra: 

que nos desfiguram as melhores intenções; 

que nos falham à confiança; 

que nos criam problemas; 

que nos abandonam na hora difícil; 

que nos induzem à tentação; 

que nos impõem prejuízos; 

que nos criticam os gestos; 

que nos desencorajam as esperanças; 

que nos desafiam à cólera; 

que nos dificultam o trabalho; 

que nos agravam os obstáculos; 

que nos perseguem ou injuriam; 

são geralmente os examinadores utilizados pela Espiritualidade Maior - através do mecanismo das provas - a fim de saber como vamos seguindo na obra libertadora da própria desobsessão. 

Renteando com eles, acalme-se, observe, aproveite, agradeça e abençoe. 

Albino Teixeira

Teste do processo desobsessivo

Chico Xavier - Paz e Renovacao

Verifique você:

se já consegue dispensar aos outros o tratamento que desejaria receber: 

se adia a execução das próprias tarefas; 

se reconhece que toda criatura humana é imperfeita quanto nós mesmos e que, por isso, não nos será lícito exigir do próximo testemunhos de santidade e grandeza na passarela do mundo; 

se guarda fidelidade aos compromissos assumidos; 

se cultiva a pontualidade; 

se evita contrair débitos; 

se orienta a conversação sem perguntas desnecessárias; 

se acolhe construtivamente as críticas de que se faz objeto; 

se fala auxiliando ou agredindo a quem ouve; 

se conserva ressentimentos; 

se sabe atrair amigos e alimentar afeições; 

se mantém o autocontrole, na vida emotiva, como base da sua dieta mental. 

Todos nós, os Espíritos em evolução na Terra, temos a nossa quota de obsessão, em maior ou menor grau. E todos estamos trabalhando pela própria libertação. À vista disso, de quando em quando, é sumamente importante façamos um teste de nosso processo desobsessivo, a fim de que cada um de nós observe, em particular, como vai indo o seu. 

André Luiz

Pequenas regras de desobsessão

Chico Xavier - Paz e Renovacao

Procure: 

mais do que saber - dominar-se; 

mais do que agir - elevar; 

mais do que estudar - aprender; 

mais do que pensar - discernir; 

mais do que falar - educar; 

mais do que aconselhar - servir; 

mais do que escutar - compreender; 

mais do que perdoar - amparar; 

mais do que sofrer - resignar-se; 

mais do que amar - sublimar. 

Quando nos expressamos, usando o modo imperativo do verbo, não queremos dizer que nós outros, - os amigos domiciliados no Mais Além, estejamos a cavaleiro dos obstáculos e dificuldades que oneram os companheiros do mundo. 

Todos estamos ainda vinculados à Terra. E, na Terra, tanto adoece o cientista que cria o remédio, em favor dos enfermos, quanto os clientes que lhe desfrutam os recursos da inteligência; tanto carrega problemas o professor que ensina, quanto o aprendiz que se lhe beneficia do apoio cultural. Assim também na desobsessão. Todos os apontamentos que se relacionam com o assunto tanto se dirigem aos outros quanto a nós. 

André Luiz

Pensamento e desobsessão

Chico Xavier - Paz e Renovação

Falamos de pensamento livre. 

Analise o corpo de que você se serve no plano material: do ponto de vista do autocontrole, é uma cabine perfeita com dispositivos especiais destinados a sua própria defesa. 

O cérebro com os centros diretivos da mente funciona encerrado na caixa craniana, à maneira de usina quase lacrada num cofre forte. 

Os olhos registram impressões, mas podem conservá-las em estudo discreto. 

Os ouvidos são forçados a escutar o que lhes afete a estrutura, entretanto, não precisam dizer o que assinalam. 

A voz é produzida na laringe sem necessidade de arrojar de si palavras em desgoverno. 

Mãos e pés por implementos de serviço não se movimentam sem determinações da vontade. 

Os recursos do sexo não atuam sem comando mental. 

Fácil, assim, verificar que não existe trabalho desobsessivo sem reajuste da emoção e da idéia, porquanto todos os processos educativos e reeducativos da alma se articulam, de início, no pensamento. 

Eis porque Jesus enunciou, há quase vinte séculos:- "Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas sim aquilo que, impropriamente, lhe sai do coração". 

André Luiz

Obsessão 2

                              (trecho do livro Libertação -psicografia Chico Xavier - espírito André Luiz)

De volta ao domicilio de Gregório, fomos transferidos da cela trevosa para um aposento de janelas gradeadas, onde tudo desagradava à vista. Certo, devíamos a mudança ao resultado encorajador que alcançáramos nas operações seletivas, mas, em verdade, ainda aí, nos achávamos em autêntico pardieiro. De qualquer modo, era para nós imenso consolo contemplar algumas estrelas, através do nevoeiro que assaltava a paisagem noturna.

O Instrutor, versado em expedições idênticas à nossa, recomendou-úos não tocar os varões de metal que nos impediam a retirada, esclarecendo se achavam imantados por forças elétricas de vigilância e acentuando que a nossa condição ainda era de simples prisioneiros.

Aproximamo-nos, porém, das janelas que nos comunicavam com o exterior e reparei que o espetáculo era digno de estudo.

Grande movimento na via pública, congregando vários grupos de criaturas, em conversação não longe de nós. Os diálogos e entendimentos surpreendiam. Quase todos se referiam à esfera carnal. Questões minuciosas e pequeninas da vida particular eram analisadas com inequívoco interesse; contudo, as notas dominantes caíam no desequilíbrio sentimental e nas emoções primárias da experiência física.

Percebi diferentes expressões nos “halos vibratórios” que revestiam a personalidade dos conversadores, através das cores de variação típica. Dirigi-me a Gúbio, buscando-lhe oportuno esclarecimento.

— Não mediste, ainda — respondeu, prestimoso —‘ a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contacto conosco e a maior percentagem desses semi-libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente.Por aqui, muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fôsse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas.

De alma voltada para as noções da vida imensa que o ambiente sugeria, rememorei o curso incessante das civilizações. Pensamentos mais altos clarearam- me os raciocínios. A Bondade do Senhor não violenta o coração. O Reino Divino nascerá dentro dele e, à maneira da semente de mostarda que se liberta dos envoltórios inferiores, medrará e crescerá gradativamente, sob os impulsos construtivos do próprio homem. Que temerária concepção a de um paraíso fácil!

Gúbio percebeu-me a posição mental e falou em socorro de minhas pobres reflexões intimas:

— Sim, André, a coroa da sabedoria e do amor é conquistada por evolução, por esforço, por associação da criatura aos propósitos do Criador. A marcha da Civilização é lenta e dolorosa. Formidandos atritos se fazem indispensáveis para que o espírito consiga desenvolver a luz que lhe é própria. O homem encarnado vive simultaneamente em três planos diversos. Assim como ocorre à árvore que se radica no solo, guarda ele raizes transitórias na vida física; estende os galhos dos sentimentos e desejos nos círculos de matéria mais leve, quanto o vegetal se alonga no ar; e é sustentado pelos princípios sutis da mente, tanto quanto a árvore é garantida pela própria seiva. Na árvore, temos raiz, copa e seiva por três processos diferentes de manutenção para a mesma vida e. no homem, vemos corpo denso de carne, organização perispirítica em tipo de matéria mais rarefeita e mente, representando três expressões distintas de base vital, com vistas aos mesmos fins. Segundo observamos, o homem exige para sustentar-se, no quadro evolucionário, segurança relativa no campo biológico, alimento das emoções que lhe são próprias nas esferas de vida psíquica que se afinam com ele e base mental no mundo íntimo. A vida é patrimônio de todos, mas a direção pertence a cada um. A inteligência caída precipita-se, despenhadeiro abaixo, encontrando sempre, nos círculos inferiores que elege por moradia, milhões de vidas inferiores, junto às quais é aproveitada pela Sabedoria Celestial para maior glorificação da obra divina. Na economia do Senhor, coisa alguma se perde e todos os recursos são utilizados na química do Infinito Bem. Aqui mesmo, nesta cidade, tínhamos, a princípio, autêntico império de vidas primitivas que, pouco a pouco, se fêz ocupado por extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis. Entrincheiraram-se nestes sítios, guardando o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa, e exercem funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas, não obstante atenderem a serviço que para nós outros seria presentemente insuportável. Usam a violência em largas doses, todavia, no curso dos anos, a influenciação intelectual delas trará grandes benefícios aos oprimidos de agora e estejamos convictos de que, apesar de blasonarem inteligência e poder, permanecerão nos postos que ocupam apenas enquanto perdurar o consentimento da Divina Direção, atento ao princípio que determina tenha cada assembleia o governo que merece.

O Instrutor confiou-se a pausa mais longa e concentrei minha atenção numa dupla feminina que conversava, rente à grade. Certa mulher já desencarnada dizia para a companheira, ainda presa à experiência física, parcialmente liberta nas asas do sono:

— Notamos que você, ültimamente, anda mais fraca, mais serviçal...Estará desencantada, quanto aos compromissos assumidos?

A interpelada explicou um tanto confundida:

— Acontece que João se filiou a um círculo de preces, o que, de alguma sorte, nos vem alterando a vida.

A outra deu um salto à retaguarda, ao modo de um animal surpreendido e gritou:

— Orações? você está cega quanto ao perigo que isso significa? Quem reza cai na mansidão. É necessário espezinhá-lo, torturá-lo, feri-lo, a fim de que a revolta o mantenha em nosso círculo. Se ganhar piedade, estragar-nos-á o plano, deixando de ser nosso instrumento na fábrica.

A interlocutora, no entanto, observou, ingênua:

— Ele se diz mais calmo, mais confiante...

— Marina — obtemperou a outra, intempestiva —, você sabe que não podemos fazer milagres e não é justo aceitar regras e intrujices de espíritos acovardados que, a pretexto de fé religiosa, se arvoram em ditadores de salvação. Precisamos de seu marido e de muitas outras pessoas que a ele se agregam em serviço e em nosso nível, O projeto é enorme e interessante para nós. Já esqueceu quanto sofremos? Eu, de mim mesma, tenho duras lições por retribuir.

E batendo-lhe esquisitamente nos ombros, acentuava:

- Não admita encantamentos espirituais. A realidade é nossa e cabe-nos aproveitar o ensejo, integralmente. Volte para o corpo e não ceda um milímetro. Corra com os apóstulos improvisados. Fazem-nos mal. Prenda João, controlando-lhe o tempo. Desenvolva serviço eficiente e não o liberte. Fira-o devagarinho. O desespero dele chegará, por fim, e, com as forças da insubmissão que forem exteriorizadas em nosso favor, alcançaremos os fins a que nos propomos. Nada de transigência. Não se atemorize com promessas de inferno ou céu depois da morte. Em toda parte a vida é aquilo que fazemos dela.

Boquiaberto com o que me era dado perceber, reparei que a entidade astuta e vingativa envolvia a interlocutora em fluidos sombrios, à maneira dos hipnotizadores comuns. Enderecei olhar interrogativo ao nosso orientador que, após haver atenciosamente acompanhado a cena, informou, prestimoso:

— A obsessão desse teor apresenta milhões de casos. De manhãzinha, na Esfera da Crosta, essa pobre mulher, vacilante na fé, incapaz de apreciar a felicidade que o Senhor lhe concedeu num casamento digno e tranquilo, despertará no corpo, de alma desconfiada e abatida. Oscilando entre o “crer” e o “não crer” não saberá polarizar a mente na confiança com que deve enfrentar as dificuldades do caminho e aguardar as manifestações santificantes do Alto e, em face da incerteza intima, em que se lhe caracterizam as atitudes, demorar-se-á imantada a essa irmã ignorante e infeliz, que a persegue e subjuga para conseguir deplorável vingança. Converter-se-á, por isso, em objeto de acentuada aflição para o esposo e suas conquistas incipientes periclitarão.

— Como se libertaria de semelhante inimiga? — perguntou Elói, interessado.

— Mantendo-se num padrão de firmeza superior, com suficiente disposição para o bem. Com esse esforço, nobre e contínuo, melhoraria intensivamente os seus princípios mentais, afeiçoando-os ás fontes sublimes da vida e, ao invés de converter-se em material absorvente das irradiações enfermiças e depressivas, passaria a emitir raios transformadores e construtivos, em beneficio de si mesma e das entidades que se lhe aproximam do caminho. Em todos os quadros do Universo, somos satélites uns dos outros, Os mais fortes arrastam os mais fracos, entendendo-se, porém, que o mais frágil de hoje pode ser a potência mais alta de amanhã, conforme nosso aproveitamento individual. Expedimos raios magnéticos e recebemo-los ao mesmo tempo. É imperioso reconhecer, todavia, que aqueles que se acham sob o controle de energias cegas, acomodando-se aos golpes e sugestões da força tirânica, emitidos pelas inteligências perversas que os assediam, demoram-se, longo tempo, na condição de aparelhos receptores da desordem psíquica. Muito difícil reajustar alguém que não deseja reajustar-se. A ignorância e a rebeldia são efetivamente a matriz de sufocantes males.

Obsessão 1

(trecho do livro Ação e Reação psicografia Chico Xavier - espírito André Luiz) 
O Assistente falou, calmo:
— O esclarecimento nos faz crer que este homem —e designou Luís, que prosseguia fascinado pelos maços de cédulas da gaveta abarrotada , além do apego enfermiço à precária riqueza humana, ainda sofre a pressão de outras mentes, alucinadas quanto a dele, nos enganos da posse material. Neste caso, o doentio desejo de que se sente objeto é naturalmente elevado à tensão máxima... Leonel, percebendo que Silas penetrava o âmago do problema com surpreendente facilidade, explicou, entusiasmado: — Sim, aprendemos nas escolas de vingadores (refere-se a entidade a organizações mantidas por inteligências criminosas, homiziadas temporariamente nos planos Inferiores. — Nota do Autor espiritual) que todos possuímos, além dos desejos imediatistas comuns, em qualquer fase da vida, um «desejo-central» ou «tema básico» dos interesses mais íntimos. Por isso, além dos pensamentos vulgares que nos aprisionam  à experiência rotineira, emitimos com mais freqüência os pensamentos que nascem do “desejocentral” que nos caracteriza, pensamentos esses que passam a constituir o reflexo dominante de nossa personalidade. Desse modo, é fácil conhecer a natureza de qualquer pessoa, em qualquer plano, através das ocupações e posições em que prefira viver. Assim é que a crueldade é o reflexo do criminoso, a cobiça é o reflexo do usurário, a maledicência é o reflexo do caluniador, o escárnio é o reflexo do ironista e a irritação é o reflexo do desequilibrado, tanto quanto a elevação moral é o reflexo do santo... Conhecido o reflexo da criatura que nos propomos retificar ou punir é, assim, muito fácil superalimentá-la com excitações constantes, robustecendo-lhe os impulsos e os quadros já existentes na imaginação e criando outros que se lhes superponham, nutrindo-lhe, dessa forma, a fixação mental. Com esse objetivo, basta alguma diligência para situar, no convívio da criatura malfazeja que precisamos corrigir, entidades outras que se lhe adaptem ao modo de sentir e de ser, quando não possamos por nós mesmos, à falta de tempo, criar as telas que desejemos, com vistas aos fins visados, por intermédio da determinação hipnótica. Através de semelhantes processos, criamos e mantemos facilmente o «delírio psíquIco» ou a “obsessão”, que não passa de um estado anormal da mente, subjugada pelo excesso de suas próprias criações a pressionarem o campo sensorial, infinitamente acrescidas de influência direta ou indireta de outras mentes desencarnadas ou não, atraidas por seu próprio reflexo.
E, sorrindo, o inteligente perseguidor disse, sarcástico:
— Cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio.
De mim mesmo, achava-me perplexo. Nunca ouvira um verdugo, aparentemente vulgar, com tanto conhecimento e consciência de seu papel. Figurava-se-me assistir a um curso rápido de sadismo mental, extravagante e frio. Silas, mais treinado que eu, no trato com os amigos daquela condição, não exteriorizou qualquer sentimento de pesar ou de assombro, na fisionomia serena. Entre mostrando, porém, grande interesse em torno da preleção, considerou:
— Indiscutivelmente, a exposição é perfeita. Cada qual de nós vive e respira nos reflexos mentais de si mesmo, angariando as influências felizes ou infelizes que nos mantêm na situação que buscamos... Os Céus ou as Esferas Superiores são constituídos pelos reflexos dos Espíritos santificados e o inferno...
— É o reflexo de nós mesmos — completou Leonel com uma gargalhada.
Creio que, em me assinalando o interesse no aprendizado em curso, o Assistente pediu ao irmão de Clarindo alguma demonstração prática do que afirmara teoricamente para nosso estudo, ao que ele assentiu com prazer, informando:
— O avarento sob nossa vista guarda o propósito de comprar ou extorquir determinada gleba vizinha, a qualquer preço, mesmo em se tratando de transação criminosa, para valorizar as aguadas da propriedade que nos pertence. Tratando-se de assunto no tema essencial da existência dele, que é a cobiça, facilmente recolherá as Imagens que eu lhe deseje transmitir, utilizando-me da própria onda mental em que as suas idéias habitualmente se exprimem... E, passando das palavras para a ação, colocou a destra sobre a fronte de Luís, mantendo-se na profunda atenção do hipnotizador governando a presa. Vimos o pobre amigo, desligado do corpo físico, arregalar os olhos com a volúpia do faminto que contempla um prato saboroso, a distância, e exibir uma carantonha de maldade satisfeita, falando a sós.
— Agora! agora! as terras serão minhas! muito minhas! Ninguém concorrerá com meus preços! ninguém!... Logo após, afastou-se, lépido, com a expressão indefinível de um louco.
Acompanhamo-lo até à saída e, da extensa varanda, podíamos vê-lo, avançando, à pressa, desaparecendo, por fim, no grande maciço de arvoredo próximo, na direção de fazendola fronteiriça.
— Viram? — exclamou Leonel, contente —. transmiti-lhe ao campo mental um quadro fantástico, através do qual as terras do vizinho estariam em leilão, caindo-lhe, enfim, nas unhas. Bastou que eu mentalizasse uma tela nesse sentido, arquitetando o sítio à venda, para que ele a tomasse por realidade indiscutível, porquanto, em se tratando de nosso reflexo fundamental, somos induzidos a crer naquilo que desejamos aconteça... Tão logo termine o fluxo controlado de minha influenciação hipnótica, retomará o corpo carnal, lambendo os beiços, na certeza de haver sonhado com a falência da granja sobre a qual pretende um título de posse.
Silas, com manifesta intenção, ajuntou, sereno:
- Ah! sim!... Estamos diante de um processo de transmissão de imagens, até certo ponto análogo aos princípios dominantes na televisão, no reino da eletrônica, atualmente em voga no plano terrestre. Sabemos que cada um de nós é um fulcro gerador de vida, com qualidades específicas de emissão e recepção. O campo mental do hipnotizador, que cria no mundo da própria imaginação as formas-pensamentos que deseja exteriorizar, é algo semelhante à câmara de imagem do transmissor comum, tanto quanto esse dispositivo é idêntico, em seus valores, à câmara escura da máquina fotográfica. Plasmando a imagem da qual se propõe extrair o melhor efeito, arroja-a sobre o campo mental do hipnotizado que, então, procede à guisa do mosaico em televisão ou à maneira da película sensível do serviço fotográfico. Não ignoramos que na transmissão de imagens, a distância, o mosaico, recolhendo os quadros que a cãmera está explorando, age como um espelho sensibilizado, convertendo os traços luminosos em impulsos elétricos e arremessando-os sobre o aparelho de recepção que os recebe, através de antenas especiais, reconstituindo com eles as imagens pelos chamados sinais de vídeo, e recompondo, dessa forma, as cenas televisadas na face do receptor comum. No problema em estudo, você, Leonel, criou os quadros que se propôs transmitir ao pensamento de Luís, e, usando as forças positivas da vontade, coloriu-os com os seus recursos de concentração na sua própria mente, que funcionou como câmara de imagem. Aproveitando a energia mental, muito mais poderosa que a força eletrônica, projetou-os, como legítimo hipnotizador, sobre o campo mental de Luís, que funcionou qual mosaico, transformando as impressões recebidas em impulsos magnéticos, a reconstituirem as formas-penSamentos plasmadas por você nos centros cerebrais, por intermédio dos nervos que desempenham o papel de antenas específicas, a lhes fixarem as particularidades na esfera dos sentidos, num perfeito jogo alucinatório, em que o som e a imagem se entrosam harmoniosamente, como acontece na televisão, em que a imagem e o som se associam com o apoio eficiente de aparelhos conjugados, apresentando no receptor uma seqüência de quadros que poderíamos considerar como sendo «miragens técnicas”.