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A alma dos animais

A alma dos Animais Palestrante: Irvênia Prada Rio de Janeiro 14/03/2003

Irvenia Prada (IP) - Muito obrigada pela oportunidade de conversar com os amigos a respeito deste assunto tão fascinante e ainda tão desconhecido.

Como muitos companheiros sempre tive várias dúvidas a respeito de muitos aspectos ligados ao que estamos chamando de "A questão espiritual dos animais".

Por outro lado, sou veterinária e a vivência diária com os animais motivou-me a estudar vários destes aspectos buscando tanto a literatura espírita, quanto a literatura acadêmica. Nesta última, eu sempre me interessei muito pelo desempenho do cérebro dos animais como órgão de expressão da mente.

Passei a buscar um paralelo, se é que ele poderia existir, entre o assunto interação cérebro-mente no homem em comparação com o que poderia ocorrer com os animais.

Pergunta 1 - Os animais tem espírito?

IP - Sim, os animais têm espírito. Basta revermos a questão 597 de L.E. (Livro dos Espíritos), Kardec pergunta..."há nos animais um princípio independente da matéria?" (é claro que Kardec estava se referindo ao PI , diferente do Principio Material, ambos referidos na questão 27 de "O Livro dos Espíritos"). A resposta dos Espíritos à questão 597 é: "Sim, e que sobrevive ao corpo".

Este mesmo assunto está referido em “A Gênese” Cap.3 item 21: "a verdadeira vida, do animal, tal como a do homem, não se encontra no envoltório corporal; ela está no PI que preexiste e que sobrevive ao corpo".

Pergunta 2 - Léon Denis, numa linguagem poética, nos sugere que o princípio inteligente sonha nos animais. Você poderia desenvolver um pouco mais essa informação?

IP - Revendo esta belíssima citação poética de Leon Denis, lemos que a alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e desperta no homem. Esta citação poética tem um respaldo importante em toda a obra doutrinária, pois, o PI estagia nos vários níveis evolutivos na busca de seu progresso espiritual.

Em André Luiz - Evolução em dois Mundos - Cap.5 "Células e Corpo Espiritual" lemos: com o transcursos dos evos, surpreendemos as células como PIs de feição rudimentar, a serviço do PI em estágio mais nobre nos animais superiores e nas criaturas humanas, renovando-se continuamente no corpo físico e no corpo espiritual, em modulações vibratórias diversas, conforme a inteligência que as senhoreia, depois do berço e depois do túmulo.

Em "O Livro dos Espíritos" item 540, está expresso "...é assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza desde o átomo primitivo até o Arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo".

Pergunta 3 - O espírito humano representa continuidade evoluída do espírito dos animais?

IP - No LE, pergunta 606-a, Kardec já pergunta aos espíritos..."a inteligência (certamente se reportando ao PI) do homem e a dos animais emanam de um principio único? Resposta dos espíritos: "sem dúvida nenhuma, mas no homem ela passou por uma elaboração que a eleva acima dos brutos".

Na questão 607 vem uma colocação crucial para este assunto: "Onde cumpre o espírito esta primeira fase? Resposta: Numa série de existências que precedem ao período que chamais de Humanidade". Portanto, parece bastante claro que a resposta a sua pergunta é afirmativa.

Entretanto, Kardec teve o cuidado de referi-la com reservas. Por exemplo, no próprio LE # 613 lemos o seguinte: "É assim que nem todos pensam da mesma maneira a respeito das relações existentes entre o homem e os animais.

Segundo alguns, o espírito não chega a o período humano senão depois de ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres "inferiores"da criação.

Segundo outros o espírito do homem teria sempre pertencido a raça humana sem passar pela fieira animal. Comentário semelhante encontramos em “A Gênese” Cap. 11 item 23.

Pergunta 4 - Por que os animais domésticos reagem de forma clara quando algum membro da casa está doente ou até para desencarnar?

IP - Podemos levantar dois aspectos nesta questão: um deles é o relacionado ao vínculo afetivo que passa a existir entre os animais que convivem conosco e as pessoas da casa. Portanto, qualquer mudança de comportamento das pessoas é percebida pelos animais.

O outro aspecto pode estar relacionado a um assunto discutido no livro "A questão espiritual dos animais" e que diz respeito à eventual mediunidade dos animais. No LM, cap. 22, item 236, Erasto faz vários comentários a respeito da capacidade dos animais de perceberem a presença de espíritos. Cita a exemplo o caso bíblico da Mula de Balaão, que percebeu a presença do anjo antes do próprio Balaão.

Pergunta 5 - O espírito dos animais reencarnam? Em que condições?

IP - Sim, os animais reencarnam.

Há alguns anos o prezado médium Divaldo P. Franco relatou-me caso ocorrido segundo ele com o nosso querido Chico Xavier. Disse-me ele que Chico possuía um cachorro de nome Don Pedrito, e este cachorro morreu atropelado. Chico muito afetuoso também com os animais, lamentou o desencarne de Don Pedrito. Passou-se algum tempo, Chico ia andando na rua e um cachorrinho começou a seguilo. Chico não prestou muita atenção até que Emmanuel o advertiu: "Chico pare e olhe para este cachorrinho". E Chico surpreso responde: por quê? E mais surpreso ainda ouve de Emmanuel: "é o Don Pedrito que está voltando para você. Chico tomou o cachorrinho nos braços, levou para casa e passou a chamá-lo de brinquinho, relatado em vários livros.

Pergunta 6 - Tendo em vista a falta de consciência dos animais para responderem por seus atos, qual seria a razão de suas doenças?

IP - Quem vai responder a esta pergunta é Emmanuel, numa pagina belíssima, psicografada por Chico Xavier, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã em 14/12/1969, em Uberaba.

Ela se chama animais e sofrimento, vamos aqui resumí-la: Se os animais estão isentos da lei de Ação e Reação em suas motivações profundas, já que não tem culpas a expiar, de que maneira se lhes justificar os sacrifícios e aflições? Ninguém sofre de um modo ou de outro tão somente para resgatar o preço de uma coisa. Sofre-se também angariando os recursos preciosos para obtê-la.

Assim é que o animal atravessa longas eras para instruir-se. O animal igualmente para atingir a auréola da razão deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-lo na posse definitiva do raciocínio dor física no animal é passaporte para mais amplos recursos nos domínios da evolução...certifiquemo-nos porém, que investindo-se na posição de espírito sublime, não mais conhecerá a dor, porquanto o amor ser-lheá sol no coração, dissipando todas as sombras da vida ao toque de sua própria luz.

Pergunta 7 - Por que os animais sofrem? Por que existe a diferença no sofrimento de cada um deles?

IP - Porque cada um é um indivíduo diferente, assim como a sua bagagem de experiências também é única. O que chamamos de sofrimento faz parte da nossa condição material, de nosso processo evolutivo, e neste sentido podemos substituir a palavra sofrimento por oportunidade de aprendizado.

Pergunta 8 - Refletindo o caso do lobo de Gulbio, quando Francisco de Assis o socorre e liberta-o de um espírito rebelde e revoltado com os moradores da vila e utilizava do animal para agredir e ferir a todos, podemos entender os casos de agressões repentinas em animais domésticos?

IP - É sabido que os animais sofrem influências vibratórias dos seres humanos, encarnados e desencarnados.

Basta lembramos o caso do endemoniado Geraseno, referido em Lucas 8:26- 34. "O Homem possesso de demônios(legião) recorre a Jesus para curá-lo; então rogaram-lhe (os demônios a Jesus) que não os mandasse sair para o abismo. Ora, andava ali, pastando num monte uma grande manada de porcos: rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles porcos e Jesus o permitiu. Tendo os demônios saído do homem, entraram nos porcos e a manda precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago e se afogou".

Podemos entender pelo texto que os espíritos obsessores exerciam sobre o homem uma influência deletéria; certamente o vampirizavam, pois estes espíritos "alimentam-se" do Fluido Vital dos encarnados.

André Luiz relata em sua obra como estes espíritos amontoam-se nos matadouros para usufruir do FV que emanam dos animais sacrificados. Uma vez tendo de se afastar do homem, porque assim o determinava a autoridade de Jesus, serviram-se dos porcos que por ali passavam, certamente para continuarem a se valer de alguma fonte de fluido vital de que necessitavam.

Pergunta 9 - De que modo são utilizados osanimais na espiritualidade?

IP - Na literatura espírita encontramos várias citações da presença de animais no Plano Espiritual.

André Luiz, em Nosso Lar, refere-se a cães puxando espécie de trenós.

Hermínio C. Miranda em "Dialogo com as Sombras" descreve a figura do dirigente das trevas como sendo visto quase sempre montado em animais.

Mas tem um caso muito bonito para lhe contar a respeito. Em abril/99, após palestra no Meimei em São Bernardo do Campo, a então diretora da entidade (Da. Miltes) contou-me o seguinte: ela tem a faculdade de desdobramento e semanalmente participa de um trabalho de socorro a entidades sofredoras desencarnadas certa vez estavam em atendimento a entidade desencarnada de nome Pietra, que se encontrava em lamentáveis condições. Esta moça havia desencarnado tão magoada com a vida que não conseguia despertar apesar do repetido atendimento desta equipe.

Certo dia ao se desdobrar para este atendimento, Da. Miltes percebeu a figura espiritual de um lindo cãozinho branco e peludo, que como ela também se aproxima do leito de Pietra. A médium se surpreendeu, primeiro pelo inusitado da presença do animalzinho no plano espiritual, e segundo pelo fato de presenciar em seguida, a tão esperada manifestação da paciente que, despertada e exibindo evidente felicidade exclamava: xuxu! xuxu!...ao mesmo tempo que ela acariciava o seu alegre animalzinho.

Mais tarde a própria Pietra contou a Da. Miltes que Xuxu havia sido a sua única companhia, amiga e fiel, nos difíceis tempos que antecederam ao seu desencarne. Da. MIltes ainda se encontrou com Pietra e xuxu ainda muitas vezes no Plano Espiritual. Eu fico enternecida com o fato dos próprios espíritos terem se utilizado de Xuxu para este auxílio. Mostrando a importância do amor entre todos os seres da Criação.

Pergunta 10 - Acho que já fiz pergunta semelhante a que farei agora em outra oportunidade, porém parece-me que o tema sugere uma nova reflexão. Existem casualidades naturais?

IP - A Doutrina Espírita ensina que não existe o acaso. O que chamamos de acaso é um fato resultante de escolhas que fazemos até inconscientemente. Os nossos pensamentos criam causas para ocorrências que nos surpreendem, porque pensamos que eles não produzam efeitos. Não vigiamos em que direção estamos conduzindo nossas forças mentais.

Pergunta 11 - Nosso objetivo é o aprendizado, a evolução, mas em relação aos animais, qual o objetivo dessa evolução? São seres irracionais.

IP - Nem a Ciência atual, nem o conteúdo doutrinário nos autoriza nos dias de hoje de chamarmos os animais de seres irracionais.

André Luiz em "Mecanismos da Mediunidade", cap. 4 "Pensamento das Criaturas" ao referir sobre o modo de transmissão do pensamento dos seres afirma que os seres angelicais emitem o seu pensamento em raios super ultra-curtos; a mente humana, em ondas curtas, médias e longas; e os animais em ondas fragmentárias.

Conforme já dissemos anteriormente... Tantos os animais quanto os seres humanos evoluem a partir do mesmo principio inteligente.

Portanto a Lei de Evolução é imperativa para todos os seres. Emmanuel em "Alvorada do Reino" comenta: "O animal caminha para a condição de homem, tanto quanto o homem caminha no encalço do anjo".

Pergunta 12 - Analisando a questão da Bíblia, dos demônios: que dizer da mediunidade em animais?

IP - Na questão da mediunidade dos animais temos que abordar três aspectos:

1 - o das manifestações inteligentes, que é referido no LM, 2a. parte, cap. 3 que vamos tentar resumir "O Livro dos Médiuns" 189 lemos: os efeitos inteligentes são os que o espírito produz, servindo-se dos elementos existentes no cérebro do médium neste tipo de manifestação o médium age como intermediário, sendo a ligação mente-a-mente. Em "O Livro dos Médiuns" 223. 9 obtemos: "para uma comunicação inteligente há a necessidade de um intermediário inteligente e este intermediário inteligente é o espírito do médium. Portanto no caso do fenômeno mediúnico de efeitos inteligentes ou intelectuais parece correto admitirmos, em coerência com o que encontramos nos livros básicos da Codificação, que os animais, considerados de um modo geral, não têm condições de participar do processo como médiuns (intermediários).

2 - Manifestação de efeitos físicos (LM, cap.2): neste caso o médium não é intermediário mas sim colaborador no fenômeno, doando fluidos que combinados com fluido do espírito agente "saturam" a matéria objeto do fenômeno. Neste caso é aceitável admitir-se que determinados animais em determinadas circunstancias possam atuar como doadores de fluidos na produção destas manifestações. André Luiz por exemplo relata que são levados à beira do mar - fonte inesgotável de fluido vital, espíritos (perispiritos) de enfermos encarnados em desdobramento durante o sono. Ora, o mar tem uma infinidade de seres vivos, animais e vegetais, e o FV que ali existe certamente vem deles, sendo adequadamente modificados para que possam ser utilizados na terapia de espíritos humanos.

3 - em Obras Póstumas ao tratar de "a segunda-vista", Kardec referindo-se aos médiuns videntes: seria porventura demasiado considerar estas pessoas como médiuns, porquanto a mediunidade se caracteriza unicamente pela intervenção dos espíritos, não se podendo ter como ato mediúnico o que alguém faz por si mesmo.

A mesma observação pode ser feita em relação aos médiuns audientes e sensitivos. Sabendo que os animais percebem a presença de espíritos neste caso podemos considerá-los como sensitivos, fazendo entretando a mesma ponderação de Kardec. Talvez sensitivos mas não médiuns na acepção etimologia do termo.

IP - Agradeço a oportunidade de conversar com os amigos sobre este tema tão fascinante. Com o tempo, compreendendo que os animais são nossos companheiros na jornada evolutiva saberemos compreendê-los, respeitá-los e principalmente amá-los. Muita paz.